sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Dor saindo

Ela estava cansada de todo o sofrimento que carregava no peito. Aquele sofrimento já estava pesando, ela não estava mais conseguindo carrega-lo sem escorregar. Ela não tinha ninguém para dividi-lo ou para se apoiar. Um dia ela iria cair com aquele peso todo em cima dela. E caiu. Num dia não muito bonito de maio, ela não conseguiu mais segura-lo e o peso despencou em cima dela. Soterrada em meio de tanto sofrimento, tanta tristeza e solidão, ela viu um objeto que brilhava com luz do quarto. Uma tesoura. Pegou-a e girou-a nos dedos por um tempo. Com as mãos tremendo, ela levou a tesoura ao pulso e fez um corte. Pronto, o primeiro corte estava feito. Abriu um pequeno arranhão na pele, nada muito grande. Então, ela fez outro e outro e mais outro, mas com aquela tesoura não ia dar para fazer muito. Arrastou-se até a cozinha e pegou uma faca. Tremendo fez um novo corte. Dessa vez saiu do tamanho que ela queria. Perfeito, pensou. Fez outro, outro e outro. Sangue jorrava de seu pulso e do antebraço. Sem se importar, ela continuou. Com o braço já todo mutilado, ela resolveu parar. Arrastando-se de novo, porque o peso que estava sobre ela era demais, ela foi para o banheiro, abriu a pia e colocou o braço debaixo da água corrente. Ardeu no primeiro contato com os cortes mas depois tudo que ela sentiu foi alivio. O peso que estava sobre ela, estava diminuindo.

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